
A verdade é que é complicado ser intensa. Fazer da vela uma fogueira e da brisa uma ventania. O ideal seria equilibrar. Mas quem disse que eu sou uma pessoa equilibrada? Quem é?
Ao olhar das outras pessoas posso parecer uma água morna, mas basta chegar mais perto pra saber que eu sempre, por mais que tente, sempre acabo mostrando que sou de pontas. Que vou ao topo e desço às raízes. Dá esquerda pra direita, de cima pra baixo, nunca no meio.
O que não dá é pra ficar nas raízes por muito tempo. Isso é algo amedrontador. Porque quem fica na raiz não vê o céu, nem sente o vento, nem se delicia com a água da chuva.
Queria inaugurar uma era em que eu ficasse sempre no topo, entre as nuvens e a lua... Mas eu sei que, mais cedo ou mais tarde, vou ter que descer e me recolher todinha... Só pra regar minhas raízes, cuidar do que me sustenta.
Se eu fosse sorridente e animadinha o tempo todo... Na primeira tempestade, os mais fortes e ameaçadores ventos me tirariam o chão e eu não seria essa bactéria resistente.
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