quinta-feira, 23 de setembro de 2010


Toda vida eu fui uma verdadeira negação em esportes coletivos. Sabe aquela pessoa que é a última a ser escolhida pela capitã do time? Essa era sempre eu. Quando eu era criança só havia um esporte no qual eu me dava relativamente bem: queimada. Bom, eu não tinha força para cruzar a bola em quadras maiores do que a da minha escola, nem era hábil em causar dor nos outros com a bola, mas era expert em me esquivar. Se meu time perdia, pode escrever que eu era a última a ser "queimada". No entanto, de nada adiantava ser a última, já que, no final das contas, eu acabava perdendo.
Fazendo uma analogia da vida com um jogo de queimada, eu me pergunto até que ponto se esquivar é uma vantagem. Na infância, eu tinha medo de ser atacada e tinha medo de atacar. Não tinha força pra fazer jogadas com meus amigos. E deixei por isso mesmo. Não me empenhei em aprender a atacar, a fazer mais que fugir. Na vida isso não pode acontecer. Nesse "jogo" em que bola e oponentes são seus desafios, e que, encarar ou desviar depende apenas de você, não dá aceitar suas limitações e deixar ficar como está. Não dá pra aceitar um game over. Fugir, então, fora de cogitação.
Nesse "jogo", tudo que resta a fazer é aprender a apanhar e seguir de pé. Aprender a segurar a bola com força e a lança-la com mais força ainda. Aprender, aprender, aprender (qualquer semelhança com golden boy terá sido mera coincidência). Tudo, menos ouvir um "game over" em que você perde de si mesmo, das suas limitações.

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